Quem inventou o código de barras? História, evolução e impacto
Quem inventou o código de barras?
O código de barras foi inventado por Norman Joseph Woodland e Bernard Silver, dois engenheiros americanos que registraram a patente oficial em 20 de outubro de 1952 nos Estados Unidos (patente US2612994A).
A invenção nasceu de um desafio prático: um executivo de supermercado havia pedido ao Drexel Institute of Technology, em 1948, uma solução para automatizar o registro de produtos no caixa, eliminando a anotação manual de preços, que era lenta e sujeita a erros constantes. Silver ouviu o pedido e envolveu Woodland na busca pela solução.
Como surgiu a ideia do código de barras?
Woodland teve a ideia em 1949, enquanto estava sentado em uma praia na Flórida. Desenhando com os dedos na areia, ele adaptou o código Morse, que usa pontos e traços, para um sistema visual de linhas grossas e finas que pudessem ser lidas por luz. O resultado inicial era um padrão circular, semelhante a um alvo de tiro (chamado de “bullseye”), que podia ser lido em qualquer direção.
A lógica era simples e elegante: barras escuras absorvem luz; espaços claros a refletem. Essa diferença, captada por um leitor óptico, pode ser convertida em dados numéricos, o mesmo princípio que funciona até hoje em todos os tipos de código de barras modernos.
Linha do tempo: da invenção ao padrão global
| Ano | Marco |
| 1948 | Executivo do supermercado Food Fair faz o pedido ao Drexel Institute — origem do problema a ser resolvido |
| 1949 | Woodland tem a ideia na praia, inspirado no código Morse, e desenvolve o formato circular “bullseye” |
| 1952 | Woodland e Silver registram a patente oficial do código de barras (US2612994A) |
| 1962 | RCA adquire a patente — Woodland vai trabalhar na IBM |
| 1966 | National Association of Food Chains (NAFC) exige um sistema padronizado de identificação para o varejo americano |
| 1969 | IBM contrata Woodland para trabalhar no desenvolvimento do código de barras linear |
| 1973 | O padrão UPC (Universal Product Code) é adotado pelo setor varejista norte-americano |
| 26 de junho de 1974 | Primeiro escaneamento comercial da história: um pacote de chicletes Wrigley’s Juicy Fruit em um supermercado Marsh em Troy, Ohio (EUA) |
| 1977 | Criação da EAN (European Article Numbering Association) — futura GS1 — para expandir o padrão para a Europa e o mundo |
| 1984 | O código de barras chega ao Brasil, viabilizando a automação do varejo nacional |
| 1994 | A empresa japonesa Denso Wave inventa o QR Code, expandindo a capacidade de armazenamento para dados bidimensionais |
| 2005 | A EAN International se funde com o Uniform Code Council (UCC) e passa a se chamar GS1 |
| 2026 | A GS1 lidera globalmente a transição para os códigos 2D (QR Code GS1) dentro da iniciativa Sunrise 2027 |
O primeiro produto escaneado da história
Em 26 de junho de 1974, às 8h01 da manhã, um pacote de chicletes Wrigley’s Juicy Fruit foi escaneado no supermercado Marsh Supermarket em Troy, Ohio, nos Estados Unidos, marcando o primeiro uso comercial do código de barras na história.
O produto custava 67 centavos de dólar. Esse pacote está hoje exposto no Smithsonian Institution, em Washington D.C., como peça histórica da tecnologia comercial. O caixa que fez a leitura, Clyde Dawson, e o gerente Sharon Buchanan são os personagens históricos desse momento.
Como o código de barras funciona?
O princípio de funcionamento não mudou em essência desde a invenção de Woodland.
- Representação binária: barras escuras absorvem a luz do scanner e representam o dígito 1. Espaços brancos refletem a luz e representam 0. A combinação dessas sequências forma padrões únicos para cada número de 0 a 9;
- Leitura por scanner óptico: um feixe de luz (laser ou LED) varre o código horizontalmente. O sensor capta a luz refletida e converte as variações em sinais elétricos, que o sistema interpreta como sequência binária;
- Decodificação e validação: O sistema traduz a sequência binária nos dígitos do código, confronta o dígito verificador (último dígito, calculado matematicamente a partir dos anteriores) e valida a leitura. Se o dígito não coincidir, a leitura é rejeitada. Entenda a estrutura completa dos números do código de barras;
- Consulta ao banco de dados: o código validado é enviado ao sistema (ERP, PDV, WMS), que retorna as informações do produto: preço, descrição, estoque, em frações de segundo.
O papel da GS1 na padronização global
A invenção de Woodland e Silver era brilhante, mas, sem padronização, seria inútil; um código lido por um sistema da empresa A poderia não ser reconhecido pela empresa B.
Em 1973, o setor varejista norte-americano adotou o UPC como padrão nacional. Em 1977, a EAN International foi criada para expandir esse padrão para a Europa e o mundo, desenvolvendo o EAN-13, o código de 13 dígitos que se tornou o padrão global dominante.
Em 2005, a EAN International e o Uniform Code Council (UCC) se fundiram para formar a GS1, a organização que hoje gerencia os padrões de identificação em mais de 150 países. No Brasil, a GS1 Brasil é a organização responsável por essa gestão desde 1984, com mais de 60 mil empresas associadas.
O que a GS1 fez foi criar uma linguagem universal de identificação: um produto com código GS1 registrado no Brasil é reconhecido automaticamente em qualquer sistema varejista do mundo, sem recadastramento, sem adaptações. Veja como funciona a associação à GS1 Brasil.
Principais tipos de código de barras e sua evolução
| Código | Ano de criação | Dígitos | Uso principal |
| Bullseye (formato circular) | 1952 | — | Protótipo — nunca adotado comercialmente |
| UPC-A | 1973 | 12 | Varejo EUA e Canadá |
| EAN-13 | 1977 | 13 | Varejo global — padrão no Brasil |
| EAN-8 | 1977 | 8 | Embalagens pequenas |
| ITF-14 | 1980s | 14 | Embalagens logísticas |
| GS1-128 | 1989 | Variável | Rastreabilidade com lote e validade |
| QR Code | 1994 | Variável | Dados expandidos, leitura por câmera |
| Data Matrix GS1 | 2000s | Variável | Saúde, eletrônicos, produtos pequenos |
| QR Code GS1 | 2020s | Variável | Substituto do EAN-13 — Sunrise 2027 |
Veja o guia completo sobre tipos de códigos de barras GS1 e suas aplicações.
Do código de barras ao QR Code: a próxima transição
O código de barras linear (1D) completou mais de 50 anos de uso comercial, e não vai desaparecer, mas está evoluindo. A GS1 coordena globalmente a transição dos códigos 1D para os códigos 2D, dentro da iniciativa Sunrise 2027, que prevê que todos os pontos de venda do mundo estejam preparados para ler QR Code GS1 até 2027.
A diferença fundamental é a capacidade de dados:
| Característica | EAN-13 (1D) | QR Code GS1 (2D) |
| Dados armazenados | Apenas o GTIN (número do produto) | GTIN + lote + validade + URL + rastreabilidade |
| Leitura por smartphone | Não | Sim |
| Interação com consumidor | Não | Sim — acesso a informações completas |
| Substituição no PDV | Padrão atual | Padrão futuro (Sunrise 2027) |
O QR Code foi inventado em 1994 no Japão pela empresa Denso Wave, originalmente para rastrear peças automotivas na linha de produção da Toyota. A GS1 adaptou o formato para o varejo, criando o QR Code padrão GS1, com estrutura padronizada que garante compatibilidade com os sistemas de identificação de produtos.
Curiosidades sobre o código de barras
- O formato original era circular, não retangular, o “bullseye” de Woodland foi descartado porque a impressão da época não conseguia reproduzi-lo com precisão suficiente;
- A patente expirou em 1969 sem uso comercial significativo, o desenvolvimento comercial levou mais 5 anos após a expiração;
- Norman Woodland foi reconhecido pelo presidente Barack Obama com a Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação em 2011, ele faleceu em 2012, aos 91 anos;
- Bernard Silver morreu em 1963, antes de ver sua invenção ser usada comercialmente;
- O pacote de chiclete escaneado em 1974 custava 67 centavos e hoje está exposto no Smithsonian Institution;
- No Brasil, o primeiro escaneamento ocorreu em 1984, quando supermercados das grandes capitais começaram a adotar o sistema;
- Hoje são feitas mais de 10 bilhões de leituras de código de barras GS1 por dia no mundo;
- O QR Code tem capacidade de armazenar até 7.089 caracteres numéricos ou 4.296 caracteres alfanuméricos, contra os 13 dígitos do EAN-13.
Perguntas frequentes sobre a história do código de barras
Quem inventou o código de barras?
Norman Joseph Woodland e Bernard Silver, dois engenheiros americanos do Drexel Institute of Technology, que registraram a patente em 20 de outubro de 1952.
Quando o código de barras foi inventado?
A ideia foi concebida em 1949 e a patente registrada em 1952. O primeiro uso comercial ocorreu em 26 de junho de 1974, nos Estados Unidos.
Qual foi o primeiro produto escaneado com código de barras?
Um pacote de chicletes Wrigley’s Juicy Fruit, escaneado em 26 de junho de 1974 no supermercado Marsh em Troy, Ohio (EUA). O produto custa 67 centavos e está hoje exposto no Smithsonian Institution.
Quando o código de barras chegou ao Brasil?
Em 1984, quando supermercados brasileiros começaram a adotar o sistema, impulsionados pela padronização promovida pela GS1 Brasil — então chamada de EAN Brasil.
Qual foi o primeiro formato do código de barras?
O formato original era circular, semelhante a um alvo de tiro (“bullseye”). Foi substituído pelo formato linear retangular porque a tecnologia de impressão da época não conseguia reproduzir o padrão circular com precisão suficiente.
O código de barras vai acabar?
Não, está evoluindo. O código de barras linear (EAN-13) está sendo gradualmente substituído pelo QR Code GS1, que armazena muito mais dados e pode ser lido por smartphones. A iniciativa Sunrise 2027 da GS1 prevê que todos os PDVs do mundo estejam preparados para ler os novos formatos até 2027.
Qual país inventou o QR Code?
O Japão. O QR Code foi criado em 1994 pela empresa Denso Wave, subsidiária da Toyota, para rastrear componentes automotivos na linha de produção. Hoje é gerido pela GS1 como padrão global para identificação de produtos no varejo.
Por que o código de barras tem um dígito verificador?
O dígito verificador é calculado matematicamente a partir dos demais dígitos e serve para validar se a leitura foi feita corretamente. Se o scanner ler um dígito errado, o cálculo não fecha e a leitura é rejeitada — protegendo toda a operação contra erros silenciosos. Entenda o cálculo completo do dígito verificador.
