dólar e exportação

Como o valor do dólar no Brasil impacta nas suas exportações?

O valor do dólar influencia decisivamente toda a economia mundial. No Brasil, a flutuação da moeda atinge de diferentes maneiras o mercado nacional, e um dos setores mais impactados é o de exportações. Nesse sentido, é preciso avaliar corretamente a forma como ele pode afetar o comércio a fim de tomar as melhores decisões.

No post de hoje, vamos te explicar como o valor do dólar no Brasil impacta nos seus negócios e um passo a passo para obter sucesso na exportação. Confira!

Exportações: ótimas oportunidades

Empresas que exportam produtos podem vislumbrar na alta do dólar boas oportunidade de lucro. Como gastam em real e recebem em dólar, elas acabam se beneficiando do fato. Entre as empresas exportadoras, estão as de papel e celulose e aquelas que atuam na área agrícola, como as produtoras de suco e soja.

Contudo, os resultados positivos não são tão simples assim. Apesar de aumentar o potencial competitivo das empresas exportadoras, a alta da moeda norte-americana não é garantia de lucratividade imediata. É preciso primeiramente recuperar o mercado internacional (perdido durante a valorização do real), o que leva tempo. Outro problema é que a demanda mundial pelos produtos brasileiros não está em uma fase positiva.

Na verdade, as exportações estão ligadas a diferentes fatores, como:

  • investimento na produção de mercadorias para exportação (o que não está acontecendo intensamente no Brasil);
  • tempo para que as empresas retomem as atividades de exportação;
  • preços dos produtos no mercado internacional;
  • cenário econômico mundial em geral.

Setores que também podem ganhar

É possível que outros setores recebam impacto positivo com o aumento do dólar. Na lista, temos:

  • empresas voltadas para o mercado nacional: beneficiam-se à medida que os produtos do país são mais procurados que os importados (destaque para o setor manufatureiro);
  • turismo interno: as viagens para regiões diferentes do Brasil crescem à medida que as viagens turísticas para fora diminuem (já que ficam mais caras);
  • balança comercial (representa a relação entre exportações e importações): de forma geral, a alta do dólar melhora as exportações e dificulta as importações, gerando equilíbrio entre ambas.

Alguns investidores do exterior podem se sentir mais atraídos para o mercado brasileiro devido às maiores possibilidades de lucros. Por outro lado, o PIB defasado, o deficit externo elevado e os problemas econômicos internos podem reduzir os investimentos estrangeiros.

Importações: contração do setor

As empresas importadoras, que compram matérias-primas e produtos de outros países, naturalmente perdem com a alta do dólar. Ao contrário do que acontece na exportação, a importação implica comprar em dólar e receber em real. Entre essas empresas, estão as farmacêuticas, químicas, de carros e vinho importados, de perfumes e de chocolate.

Para os importadores, é preciso cuidado ao precificar seus produtos de modo a compensar os gastos no exterior e manter a clientela.

Setores afetados pelo novo cenário

Entre os que perdem com a elevação do dólar estão:

  • consumidor: certamente ele pagará os prejuízos e consequências da alta do dólar, comprando a preços mais caros e diminuindo seu poder aquisitivo;
  • empresas com dívidas em dólar;
  • pessoas que usaram cartão de crédito no exterior: a alta do dólar vai repercutir negativamente no orçamento dessas pessoas, além do custo de 6,38% relativo ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • viagens internacionais: o turismo externo, bem como cursos no exterior e outros tipos de viagens, estão sujeitos às variações cambiais.

Razões para as flutuações no valor do dólar

Até a década de 70, usava-se o ouro para determinar o valor do dólar (1 grama de ouro tinha um valor fixo em dólar). Contudo, a desvalorização da moeda levou à adoção de um novo método: o FOREX, o maior mercado financeiro do mundo, descentralizado e destinado às transações de câmbio.

A principal lei que determina a elevação ou a queda do dólar no Brasil é a da oferta e da procura: quando o dólar circula em muita quantidade, seu valor decresce (cotação baixa) e quando sua circulação é muito limitada, seu valor aumenta (cotação alta).

Há uma série de fatores interligados que contribuem para que a circulação do dólar aumente ou diminua no país, como:

  • déficit externo alto: o dinheiro que sai ultrapassa o que entra no país (considere, por exemplo, a dívida externa);
  • perspectivas negativas de crescimento econômico;
  • mudanças constantes no cenário político-econômico interno.

O governo busca, então, estratégias que visem manter o valor do dólar no Brasil mais estável, de modo a impactar menos na economia, desenvolvendo formas de:

  • acelerar o desenvolvimento do PIB;
  • atrair investidores estrangeiros, que apliquem capital permanentemente na infraestrutura do país;
  • reduzir o déficit externo.

A venda de dólares no mercado futuro (swap cambial) é outra estratégia do governo para proteção cambial, assegurando que permaneça o valor do dólar do dia em que o contrato foi assinado. Vender no mercado futuro é melhor do que vender no mercado à vista, pois evita que as reservas de dólar do país sejam afetadas.

Para incentivar as exportações, o governo federal criou um programa de devolução de créditos para exportadores, o Reintegra. Trata-se de um projeto mais estratégico do que financeiro, mas que apresenta um problema: a alíquota, que serve como base de cálculo para a cobrança de impostos, varia muito.

Impactos do valor do dólar no Brasil

As variações do dólar podem influir de maneiras diversas sobre a economia nacional, afetando as exportações tanto positiva quanto negativamente. Alguns especialistas afirmam que o impacto é real e positivo, mas se dilui no cenário geral de desvalorização das outras moedas e da insegurança do comércio externo (principalmente em relação à China, principal parceiro comercial do Brasil).

É necessário considerar também que existem empresas que exportam e importam produtos e, nesse caso, é necessário avaliar o quanto os lucros com as exportações compensam os gastos com as importações sem alterar radicalmente os preços repassados ao consumidor final.

Na verdade, cada caso é um caso. É preciso considerar ainda uma boa gestão financeira interna, que desenvolva estratégias para otimizar o fluxo de caixa e enfrentar os desafios. Quanto mais estruturada internamente estiver a empresa, mais possibilidades ela terá de aproveitar as vantagens das variações do dólar e contornar seus obstáculos.

Exportação de produtos: como fazer

Após as informações acima, você deve estar tentado em começar a exportar e, pensando nisso, resolvemos criar um passo a passo, com 7 dicas, para lhe ajudar nesta empreitada. Confira:

1. Pesquisar o mercado

A primeira coisa que precisa ser feita para exportar é pesquisar e planejar os mercados consumidores de seu produto, definindo os países ou regiões onde há deficit de ofertas. Isso é fundamental para o sucesso de uma comercialização internacional.

Use redes sociais, blogs, fóruns na internet, e ligue para distribuidores para coletar mais informações sobre o assunto. As opiniões sobre os profissionais destes países são os materiais mais confiáveis sobre a real situação do mercado e contribuirão com as decisões que você tomará.

Os feedbacks podem lhe ajudar a firmar o seu modelo de atuação, como a linha de produtos que será vendida, os meios de distribuição (distribuidores, departamento próprio ou representantes internacionais) e de que forma será feita a entrada neste negócio.

2. Ter um produto diferenciado

Antes de começar a exportar é necessário oferecer um produto diferenciado para aumentar a competitividade. Se você já participou de uma feira internacional já sabe do que estamos falando, pois nestes eventos são mostradas as novidades que podem chamar a atenção dos consumidores de outros países.

Mesmo que o mundo esteja globalizado (ou melhor, padronizado), a cultura de determinados países permanece intacta. Existem materiais ou cores que eles valorizam mais do que outros aspectos de um sapato, por exemplo. Por esse motivo é preciso desenvolver um produto que possa ser único, confortável e de qualidade para obter sucesso nas vendas.

A inovação é fundamental, tanto no produto quanto no processo de produção. Com isso, sua empresa deve se adequar às novas demandas para o início das exportações. O primeiro passo é ter controle de fabricação. Você precisa saber exatamente o quanto produz e a quantidade de itens que consegue exportar.

3. Estar devidamente regularizado

Sua fábrica precisa operar conforme a legislação vigente para o segmento de mercado no qual está inserida. Para isso, basta escolher o regime de tributação mais apropriado e ter a regularidade fiscal correspondente.

Depois, é necessário que a empresa tenha o RADAR (Registro de Habilitação no Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros), que é um documento utilizado pela Receita Federal para monitorar a atividade da empresa em relação às exportações comerciais.

Além do negócio estar internamente organizado e preparado, os processos precisam estar alinhados. Ou seja, é necessário que todos os setores — contábil, financeiro, logístico e de marketing — estejam em harmonia para garantir que os acordos sejam firmados e respeitados conforme as negociações.

Se todos esses procedimentos forem executados, qualquer empreendimento, independentemente do porte e de segmento pode enviar seus produtos para outros países de forma legalizada. Feito isso, confira abaixo os documentos que você deve emitir para realizar este tipo de negócio:

Documentos necessários para circulação dos produtos no país de origem:

  • nota fiscal;
  • documentos do contrato de exportação;
  • inscrição no REI (Registro de Importadores e Exportadores);
  • carta de crédito para comprovar o interesse do importador na compra;
  • especificação do produto.

Documentos necessários para o embarque ao exterior:

  • registro de exportação, realizado no SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior);
  • romaneio de embarque, para facilitar a fiscalização aduaneira;
  • nota fiscal, que deve estar em reais e anexada ao produto;
  • fatura comercial, que contém todos os dados sobre a exportação;
  • conhecimento de embarque (emitido após o embarque).

Também é preciso contratar uma operação de câmbio, ou seja, firmar um acordo com uma instituição financeira autorizada para converter a moeda estrangeira recebida pela venda das mercadorias exportadas. Isso é facilmente formalizado ao assinar um contrato de câmbio.

4. Elaborar uma lista de preços para cada país

Este é o passo mais importante da exportação! Afinal, cada país deve ter uma estratégia diferente, além de uma lista de preços diferenciada, pois cada local do globo possui um cenário único, com consumidores e concorrentes diferentes.

Esse tipo de atitude afetará diretamente outros fatores, como prazos de entrega, qualidade esperada e durabilidade dos produtos. Com isso, você expandirá sua marca em locais onde há pouca oferta e concorrência e compensará os lucros menores em mercados concorridos.

O mais adequado é ter uma lista de preços flexível, que possa acompanhar a oscilação do mercado. Além disso, é comum que a quantidade de mercadorias seja maior devido à exportação, demandando maiores descontos por parte da sua empresa. Prepare-se para negociar em volumes, e adaptar-se a essa realidade.

5. Ficar atento às tributações

Para que os preços permaneçam competitivos no mercado internacional, a maioria dos produtos não são tributados pelo país de origem, portanto, você estará isento de pagar PIS, ICMS, COFINS e IPI!

Dessa forma, a adequação tributária para uma exportação fica muito mais simplificada e acessível. Porém, é necessário controlar todas as operações de exportação para que você consiga contabilizar os créditos fiscais e utilizá-los da melhor forma.

6. Adequar as embalagens

Este processo é muito importante, pois o produto terá que passar por muitos processos até chegar nas mãos do importador, é preciso que a embalagem seja durável, resistente e, ao mesmo tempo, atraente para os clientes dos revendedores.

A embalagem deve simplificar os procedimentos logísticos, além de ser totalmente compatível à modalidade de transporte escolhida, à categoria do produto e às solicitações do cliente. Em mercadorias frágeis, por exemplo, ela precisa proteger o produto para neutralizar impactos que possam amassá-los ou rasgá-los, a fim de evitar recusas do próprio cliente ou problemas na alfândega.

Por fim, será necessário colocar códigos de barra nas embalagens, respeitando as normas vigentes de cada país. Essa funcionalidade permite que você e o importador monitorem o produto durante a exportação, sabendo exatamente em qual etapa ele se encontra.

O código de barras também automatiza o processo de exportação e melhora a logística do seu negócio, o que reflete diretamente na segurança de compra e venda e no aumento dos lucros!

7. Efetuar o embarque

Após os procedimentos citados, você deverá efetuar o embarque da mercadoria e desembaraço na alfândega. O embarque marítimo ou aéreo do produto é realizado por agentes aduaneiros, bastando efetuar o pagamento de uma taxa, chamada “capatazia”. O embarque rodoviário pode ser feito na sua empresa, ou em local preestabelecido pelo importador.

Já a liberação da mercadoria para embarque será efetuada por agentes da Receita Federal, que farão a verificação física e documental do produto. Todos os procedimentos de despacho são feitos por meio do SISCOMEX.

Esperamos que as informações expostas ao longo deste artigo possam ter lhe esclarecido de uma vez por todas sobre o impacto do valor do dólar nas exportações, e como exportar da melhor forma. Aproveite o gancho desta leitura e saiba como adequar sua empresa para os padrões internacionais de comércio.

Guia de exportação PME

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