CMV

CMV: aprenda a calcular o custo de mercadorias vendidas

A maioria dos empreendedores foca seus esforços na parte operacional do negócio visando produzir e vender mais, bem como atrair novos clientes e fidelizar os atuais, esquecendo ou ignorando o custo de mercadorias vendidas.

É preciso muito cuidado na hora de planejar e executar estratégias que busquem o aumento do faturamento, pois até as vendas geram custos e, aumentá-las, muitas vezes, não significa necessariamente que você tem uma boa taxa de lucratividade.

Tais custos não podem ser ignorados. Caso contrário, a continuidade do negócio pode ficar comprometida por falta de recursos para sustentar o seu pleno funcionamento em um curto período de tempo.

Mas não há razão para se preocupar. Existe uma fórmula simples e prática para calcular se as vendas estão realmente sendo lucrativas ou não: o custo de mercadorias vendidas (CMV).

Confira abaixo por que esse cálculo é tão importante para o seu negócio e como fazê-lo corretamente!

O que é o CMV (custo de mercadorias vendidas)

O custo de mercadorias vendidas representa quanto o revendedor, distribuidor ou fabricante precisou gastar desde a compra até a venda do produto para o cliente. Dessa forma, as receitas de vendas menos o custo de mercadorias vendidas representarão o lucro bruto, ou prejuízo, se o resultado for negativo.

É um cálculo gerencial que mede os custos diretos da produção e aquisição dos produtos que foram vendidos durante um período. O CMV é muito utilizado, principalmente pelas grandes empresas, como um indicador para medir a taxa de lucratividade nas vendas.

Além disso, tem como característica provar que o sucesso de um determinado produto não se refere somente ao quantitativo de saídas do estoque. Isso porque considera a quantidade de elementos que continuam armazenados e gerando despesas para uma organização.

Por exemplo, imagine que uma companhia adquiriu 1000 unidades de um produto para serem vendidas em um período de três meses. Contudo, 20% das mercadorias ficaram encalhadas no estoque.

Essa situação prejudica o faturamento e também impacta negativamente no custo de mercadorias vendidas. Afinal, um empreendedor, independentemente do tipo de negócio, quer evitar ao máximo adquirir produtos que não sejam comercializados pelo público-alvo.

Como o cálculo do CMV pode contribuir para melhorar a gestão do negócio

O custo de mercadorias vendidas (CMV) é relatado na demonstração do resultado do exercício e pode ser considerado como uma despesa no período contábil. Ao combinar os custos gerados com as receitas originadas nas vendas, o princípio da congruência da contabilidade é alcançado.

Sendo assim, a fórmula de CMV é particularmente importante para a gestão, pois, além de servir como um indicador de lucratividade, ajuda os gestores da empresa a analisarem a forma como compram e vendem seus produtos. De maneira geral, o cálculo contribui para melhorar esses processos e aumentar o controle das operações.

Credores e investidores também usam o custo de mercadorias vendidas para calcular a margem bruta do negócio. Analisam qual o percentual de receitas está disponível para cobrir as despesas operacionais e, com isso, descobrem a saúde financeira da empresa.

Calcular o CMV é fundamental para melhorar o planejamento das iniciativas voltadas para estimular o consumidor a adquirir as mercadorias. Imagine que em uma farmácia seja constatado que, nos últimos dois meses, as unidades de um remédio estão ficando no estoque por um tempo maior que o previsto.

Nessa situação, uma boa alternativa é fazer uma promoção para elevar as vendas. Contudo, a mercadoria deve ser oferecida por um valor que seja vantajoso não apenas para os clientes, mas também para a empresa.

Não basta simplesmente zerar o estoque. É crucial manter o negócio funcionando com condições de investir em novos produtos e serviços para conquistar a confiança da público-alvo e fidelizá-lo.

Vamos dar uma olhada agora em como calcular o custo das mercadorias vendidas de maneira correta.

Como calcular o custo de mercadorias vendidas

A fórmula para calcular o custo de mercadorias vendidas baseia-se na soma das compras realizadas no período do estoque inicial e subtraindo o estoque final do período.

Custo dos Produtos Vendidos = estoque inicial + aquisições – estoque final.

Essa equação pode parecer um pouco estranha no início, mas faz todo sentido. Lembre-se de que queremos calcular o custo das mercadorias que foram vendidas durante o ano, por isso temos que começar com o estoque inicial.

Em seguida, adicione todas as compras que foram realizadas durante o período (aquisições). Isso resultará no custo total de todo o estoque. Mas não podemos parar por aí, pois queremos descobrir os custos das mercadorias vendidas durante o ano. Então, devemos subtrair o estoque final para deixar apenas o estoque que foi vendido.

Parece um pouco confuso, mas faz sentido quando você pensa no conceito como um todo. Para esclarecer melhor, vamos dar uma olhada em um exemplo prático:

Um varejista atuante no ramo de vestuário e artigos esportivos com três filiais (pontos de vendas distintos) é especializado em roupas e equipamentos esportivos para a prática profissional e amadora. Ele requer um bom suprimento de estoque para vender durante o período de férias, por exemplo, e os gestores querem utilizar o CMV para descobrir a situação atual.

No momento, a sua contabilidade informa os seguintes números:

  • Estoque Inicial: R$ 100.000,00;

  • Novas Aquisições: R$ 450.000,00;

  • Estoque Final: R$ 35.000,00.

Vamos ao cálculo:

  • Custo dos Produtos Vendidos = R$ 100.000,00 + R$ 450.000,00 – R$ 35.000,00;

  • Custo dos Produtos Vendidos = R$ 515.000,00.

Como podemos ver, o varejista vendeu um total de mercadorias que lhe custou R$ 515.000,00 durante o ano, deixando-o com apenas R$ 35.000,00 de produtos em estoque. Essa informação não só o ajudará a planejar as compras para o próximo ano, como também a avaliar os custos de aquisição.

Os gestores podem ir além e listar o estoque por categorias para descobrir a margem de lucro para cada produto. Dessa forma, poderão analisar quais produtos possuem maior ou menor taxa de rentabilidade nas operações de venda.

Como o cálculo do CMV pode ser feito diferentes maneiras

Embora tenha uma fórmula relativamente simples, é preciso ter atenção à modalidade de inventário que será utilizada na hora de realizar o cálculo.

Atualmente, são utilizados dois tipos de inventários. No permanente, são controladas as entradas e as saídas de mercadorias e insumos de uma empresa, que são atualizadas automaticamente. No periódico, o estoque é analisado em datas estipuladas e determinadas por uma organização.

Nos dois tipos de inventários, o cálculo do CVM engloba duas unidades de medidas que não modificam a fórmula. Uma delas é o saldo monetário que considera os valores dos itens e verifica os ativos em termos financeiros existentes no estoque. A outra é por mercadoria que abrange o quantitativo de itens que não foram comercializados.

Como funciona o cálculo do CMV no inventário periódico

No inventário periódico, o cálculo do custo da mercadoria vendida propicia encontrar o custo das mercadorias vendidas pela diferença entre os itens adquiridos e os comercializados.

No exemplo abaixo, será considerada a movimentação por mercadoria.

  • Estoque Inicial (EI) = 300;

  • Compras (C) = 500;

  • Estoque Final (EF) = 200;

  • Custo de Mercadoria Vendida (CMV) = ?

Esse cálculo propicia ainda encontrar o número de produtos vendidos, o que ajuda a aperfeiçoar o controle do estoque.

Lembrando a fórmula: CMV = EI + C – EF

CMV = 300 + 500 – 200 = 600

Em relação ao saldo monetário, é possível usar os mesmos números. Porém, todos os itens serão multiplicados por R$ 5,00 para encontrar o resultado.

Veja o exemplo:

  • Estoque Inicial = R$ 1.500,00;

  • Compras = R$ 2.000,00;

  • Estoque Final = R$ 1.000,00;

  • CMV = ?

  • CMV = R$ 1500,00 + R$ 2500,00 – R$ 1000,00;

  • CMV = R$ 3.000,00.

Como deve ser feito o cálculo do CMV no inventário permanente

No inventário permanente, a aquisição e a venda de mercadorias são registradas no estoque em tempo real. Além disso, as entradas e as saídas do estoque são consideradas para calcular o CMV, adicionando-se mais duas variáveis que são bastante utilizadas pelas empresas de e-commerce.

As Devoluções de Venda (DV) abrangem a quantidade de produtos que retornaram pela logística reversa. Nas Devoluções de Compra (DC), os proprietários de e-commerce compram produtos e os revendem pelo site. Nesse caso, as devoluções de compra são as mercadorias que retornam para o fornecedor e deixam de fazer parte do estoque.

Ao calcular o CMV de uma época pelo inventário periódico, a DV e a DC não são consideradas, porque o cálculo utiliza somente os dados do estoque após os fechamentos.

Em relação ao inventário permanente, essas duas variáveis são fundamentais para o cálculo do CMV.

Por mercadoria

Serão considerados os quantitativos abaixo para fazer operação, utilizando as hipóteses de devolução:

  • Estoque inicial (EI) = 300;

  • Compras (C) = 500;

  • Devolução de Vendas (DV) = 20;

  • Devolução de Compras (DC) = 25;

  • Estoque Final (EF) = 200;

  • Custo de Mercadoria Vendida (CMV) = ?

Por haver novos elementos, a fórmula fica mais longa, mas continua sendo de fácil compreensão:

  • CMV = EI + C + DV – DC – EF;

  • CMV = 300 + 500 + 20 – 25 – 200;

  • CMV = 595.

Por saldo monetário

Todos os itens serão multiplicados pelo valor de R$ 5. Por isso, ficarão da seguinte forma:

  • Estoque Inicial (EI) = R$ 1.500,00;

  • Compras (C) = R$ 2.500,00;

  • Devolução de Vendas (DV) = R$ 100,00

  • Devolução de Compras (DC) = R$ 125,00

  • Estoque Final (EF) = R$ 1.000,00

  • Custo de Mercadoria vendida (CMV) = ?

No saldo monetário, a fórmula para encontrar o CMV é:

  • CMV = EI + C + DV – DC – EF;

  • CMV = 1.500,00 + 2.500,00 + 100,00 – 125,00 – 1000,00;

  • CMV = R$ 2.975,00.

O que não entra no cálculo de CMV

Note que, para esse cálculo, não incluímos na fórmula os custos indiretos. Ou seja, todas as despesas geradas para vender, mas que não resultaram em vendas concretas.

A fórmula apenas considera os custos diretos das mercadorias que foram vendidas de fato. Isso porque o propósito do cálculo CMV é medir o verdadeiro custo de produção das mercadorias que os clientes adquiriram durante o ano.

Para você entender melhor, listamos algumas das principais despesas que não são consideradas para calcular o lucro bruto na fórmula de custo de mercadorias vendidas:

  • despesas operacionais (transporte e armazenamento);

  • despesas administrativas (aluguel, telefone e internet, energia etc.);

  • despesas financeiras (juros sobre empréstimos, juros de compras a prazo etc.);

  • tributações (ICMS, IRPJ, PIS, COFINS etc.).

Como você pode ver, há uma série de fatores que podem afetar o custo final das mercadorias vendidas e considerá-los exigirá outra fórmula. O CMV é mais específico e fornece uma visão rápida e objetiva demonstrando se os resultados obtidos com as vendas compensaram os custos de aquisição.

O cálculo pode ser utilizado para demonstrar resultados por períodos, categorias distintas de produtos, filiais etc. O mais importante é que esse cálculo contribui para melhorar o desempenho da empresa com relação ao índice de rentabilidade.

Como o CMV pode ser interessante para o seu negócio

Sem dúvida, calcular o custo de mercadorias vendidas é uma ação importante para avaliar a saúde financeira de uma empresa. Essa medida também pode proporcionar outras vantagens para o seu negócio.

Uma delas é verificar se a política de compras está adequada às tendências dos consumidores. Uma companhia, por exemplo, pode investir demais em um produto que não está mais sendo atraente para o público-alvo. Ao constatar essa situação, fica mais fácil gerenciar os gastos com aquisição de mercadorias ou matérias-primas.

O cálculo do CMV também é útil para fazer um melhor gerenciamento do estoque. À medida que há informações relevantes sobre os produtos mais vendidos ou que ficam mais tempo nos armazéns, uma companhia poderá adotar ações para aproveitar o espaço disponível com eficiência. Isso ajuda a reduzir custos e a aumentar o faturamento.

Uma empresa apenas consegue ser competitiva e focada em obter melhorar os resultados caso tenha um bom controle das finanças e condições de fazer um planejamento estratégico. Para isso se tornar uma realidade, é fundamental que o cálculo do CMV faça parte da rotina.

Uma das razões é que esse procedimento ajuda a apontar a necessidade de expandir ações ou de retrair investimentos, o que é muito importante para a estratégia de um negócio ser bem-sucedida.

Se você quer saber mais sobre o custo de mercadorias vendidas ou compreender as principais tendências do mundo corporativo, é melhor assinar agora mesmo a nossa newsletter. Com certeza, estar bem informado é um diferencial relevante para impulsionar as vendas e os lucros!

 
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