Tipos de códigos de barras: o que são, como funcionam e qual usar
O que são códigos de barras?
Um código de barras é um sistema de identificação automática que converte dados em padrões visuais legíveis por scanners ópticos ou câmeras. No varejo, na logística, na saúde e no agronegócio, ele é a base da automação de processos: eliminando digitação manual, reduzindo erros e garantindo rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos.
Existem dois grandes grupos: os códigos lineares (1D), que armazenam dados em uma dimensão horizontal, e os códigos bidimensionais (2D), que armazenam dados em duas dimensões e têm capacidade muito maior. A escolha entre eles depende do setor, do volume de dados necessário e do tipo de leitor disponível.
A padronização global desses códigos é definida pela GS1, presente em mais de 150 países. No Brasil, a GS1 Brasil é a única organização autorizada a emitir prefixos e GTINs oficiais.
Visão geral: tabela comparativa dos principais tipos de código de barras
| Tipo | Dimensão | Dígitos | Setor principal |
Padrão GS1 |
| EAN-13 |
1D |
13 | Varejo global | Sim |
| EAN-8 |
1D |
8 | Varejo — embalagens pequenas | Sim |
| UPC-A | 1D | 12 | Varejo EUA e Canadá | Sim |
| ITF-14 (DUN-14) | 1D | 14 | Logística — caixas e paletes | Sim |
| GS1-128 | 1D | Variável | Logística e rastreabilidade avançada | Sim |
| GS1 DataBar | 1D | Variável | Farmácia, hortifruti, joias | Sim |
| Code 128 | 1D | Variável | Indústria e logística interna | Não |
| QR Code GS1 | 2D | Variável | Rastreabilidade e interação digital | Sim |
| Data Matrix GS1 | 2D | Variável | Saúde, eletrônicos, produtos pequenos | Sim |
| ISBN | 1D | 13 | Livros e publicações | Derivado do EAN |
| PLU | 1D | 4 a 5 | Hortifruti a granel | Não |
| CODABAR | 1D | Variável | Bibliotecas e bancos de sangue | Não |
Códigos de barras lineares (1D)
Os códigos lineares são formados por barras verticais pretas e espaços brancos em larguras variadas, lidos horizontalmente por scanners a laser ou de imagem. São o padrão dominante no varejo global por sua simplicidade, baixo custo de implementação e compatibilidade universal com leitores de PDV.
EAN-13 — o padrão do varejo global
O EAN-13 é o código de barras mais utilizado no mundo para identificação de produtos no varejo. Composto por 13 dígitos organizados em prefixo GS1, código da empresa, código do produto e dígito verificador, ele garante que cada produto tenha uma identidade única e permanente reconhecida em qualquer país.
No Brasil, os prefixos 789 e 790 identificam códigos registrados pela GS1 Brasil. O EAN-13 é exigido por supermercados, redes varejistas e marketplaces como Amazon, Mercado Livre e Magalu para cadastro de produtos.
Ideal para: qualquer produto físico vendido no varejo nacional ou internacional.
EAN-8 — versão compacta para embalagens pequenas
O EAN-8 é uma versão reduzida do EAN-13 com 8 dígitos, desenvolvida para produtos cuja embalagem é pequena demais para comportar o código completo, como balas, cosméticos compactos e pilhas. É lido pelos mesmos scanners que leem o EAN-13 e segue o mesmo padrão GS1.
Ideal para: produtos com embalagem muito pequena, onde o EAN-13 não cabe.
UPC-A — padrão dos Estados Unidos e Canadá
O UPC-A possui 12 dígitos e é o equivalente norte-americano do EAN-13. Ambos pertencem à família GTIN e são compatíveis entre si — leitores modernos reconhecem automaticamente os dois formatos. Para exportar para os EUA, o EAN-13 já é aceito na maioria dos casos.
Veja em detalhes as diferenças entre EAN e UPC e quando usar cada um.
Ideal para: produtos destinados ao mercado norte-americano.
ITF-14 (DUN-14) — identificação de embalagens logísticas
O ITF-14, também chamado de DUN-14, é o padrão para identificação de caixas, fardos e embalagens de transporte que contêm múltiplas unidades de um mesmo produto. Composto por 14 dígitos, ele é derivado do GTIN do produto interno e pode ser impresso diretamente na caixa de papelão corrugado, inclusive em superfícies de baixa qualidade de impressão, o que o torna robusto para ambientes logísticos.
Ideal para: distribuidoras, transportadoras e centros de distribuição.
GS1-128 — rastreabilidade avançada com múltiplos dados
O GS1-128 é uma versão avançada do Code 128 que utiliza Identificadores de Aplicação (AIs), prefixos numéricos que indicam o tipo de dado que vem a seguir. Com isso, um único código pode carregar simultaneamente informações como:
- número de lote;
- data de validade;
- peso líquido;
- número de série;
- quantidade.
Isso elimina a necessidade de etiquetas adicionais e é essencial em setores em que a rastreabilidade é regulatória, como alimentos e medicamentos. Em casos de recall, o GS1-128 permite identificar exatamente quais lotes foram afetados, sem recolher toda a produção.
Ideal para: indústria alimentícia, farmacêutica, hospitais e logística de alto controle.
GS1 DataBar — compacto com dados adicionais
O GS1 DataBar é uma família de códigos lineares desenvolvida para produtos pequenos ou com necessidades especiais de identificação. Ocupa até 50% menos espaço que o EAN-13 e, mesmo sendo linear, permite incluir informações adicionais como peso, validade e número de lote.
Os principais formatos da família DataBar são:
- GS1 DataBar Omnidirecional: leitura em qualquer direção — comum em hortifruti;
- GS1 DataBar Expandido: inclui AIs como validade e lote — usado em farmácias;
- GS1 DataBar Truncado: versão compacta para produtos muito pequenos.
Ideal para: frutas e verduras, produtos de padaria, cosméticos pequenos, joias e medicamentos de dose unitária.
Code 128 — flexibilidade industrial
O Code 128 é um código linear de alta densidade que suporta todos os 128 caracteres ASCII, incluindo letras, números e símbolos. É muito usado internamente em indústrias e transportadoras para etiquetas de rastreamento, ordens de produção e controle de inventário.
Diferente dos códigos GS1, o Code 128 não garante unicidade global; dois produtos de empresas diferentes podem ter o mesmo código. Por isso, não substitui o EAN-13 para venda no varejo.
Ideal para: uso interno em indústrias, galpões e transportadoras.
ISBN — identificação de livros
O ISBN (International Standard Book Number) identifica de forma única livros e publicações. No formato atual (ISBN-13), é tecnicamente um EAN-13 com prefixo 978 ou 979, podendo ser lido por qualquer scanner de varejo. É gerido pela Agência Brasileira do ISBN, vinculada à Biblioteca Nacional.
Ideal para: editoras, livrarias e distribuidoras de publicações.
PLU — produtos frescos a granel
O PLU (Price Look-Up) é um código curto de 4 a 5 dígitos usado em frutas, verduras e legumes vendidos a peso nos pontos de venda. Não é um padrão GS1 e não garante unicidade global; é um sistema interno de PDV para facilitar a pesagem e o registro no caixa.
Ideal para: seção de hortifruti em supermercados.
CODABAR — aplicações especializadas
O CODABAR é um código linear mais antigo, ainda usado em contextos específicos como bibliotecas, bancos de sangue e sistemas de courier. Suporta dígitos e alguns caracteres especiais, mas tem capacidade limitada em comparação com Code 128 e formatos GS1.
Ideal para: bibliotecas, hemocentros e sistemas legados.
Códigos de barras bidimensionais (2D)
Os códigos 2D armazenam dados em duas dimensões, horizontal e vertical, o que permite uma capacidade de informação muito maior que os códigos lineares. São lidos por câmeras (smartphones ou scanners de imagem) e têm redundância de dados: mesmo que parte do código esteja danificada, ele ainda pode ser lido corretamente.
QR Code GS1 — o futuro da identificação no varejo
O QR Code padrão GS1 é a principal aposta da GS1 para substituir o EAN-13 no varejo nos próximos anos, dentro da iniciativa global Sunrise 2027. Diferente do QR Code comum, o QR Code GS1 segue estrutura padronizada e pode conter simultaneamente.
- O GTIN do produto (equivalente ao EAN-13);
- Número de lote e data de validade;
- Link para página com informações completas de rastreabilidade;
- Tabela nutricional e dados de sustentabilidade;
- Informações para o consumidor final.
Isso significa que um único código no rótulo serve tanto para o scanner do caixa quanto para o smartphone do consumidor, que pode acessar a origem do produto, alérgenos, instruções de descarte e muito mais.
Ideal para: produtos alimentícios, farmacêuticos e qualquer empresa que queira oferecer mais transparência ao consumidor.
Data Matrix GS1 — precisão em espaços mínimos
O Data Matrix é um código 2D de formato quadrado ou retangular, capaz de armazenar grandes volumes de dados em espaços muito pequenos. É amplamente usado em dispositivos médicos, medicamentos e componentes eletrônicos, onde o espaço na embalagem é mínimo e a rastreabilidade é crítica.
O padrão GS1 Data Matrix permite incluir GTIN, lote, validade e número de série em um único código compacto, atendendo às exigências regulatórias da ANVISA para medicamentos.
Ideal para: saúde (medicamentos e dispositivos médicos), eletrônicos e produtos com embalagem muito pequena.
Como escolher o tipo de código de barras ideal para sua empresa
A escolha correta do código de barras impacta diretamente a eficiência operacional, a aceitação em canais de venda e a conformidade regulatória. Use este guia:
Se você vende produtos no varejo brasileiro ou em marketplaces: use o EAN-13 (GTIN-13), obtido pela GS1 Brasil. É o padrão exigido por supermercados, farmácias e plataformas digitais.
Se sua embalagem é muito pequena para o EAN-13: use o EAN-8 (para produtos simples) ou o GS1 DataBar (se precisar incluir dados adicionais como validade).
Se você exporta para os EUA ou Canadá: o EAN-13 já é aceito na maioria dos casos. Em situações específicas, pode ser solicitado o UPC-A. Veja mais em nosso conteúdo sobre EAN e UPC.
Se você precisa identificar caixas ou paletes para transporte: use o ITF-14 para embalagens simples ou o GS1-128 quando precisar incluir lote, validade e outros dados na etiqueta logística.
Se você atua em alimentos, farmácia ou saúde e precisa de rastreabilidade completa: use o GS1-128 nas etiquetas logísticas e considere migrar para o QR Code GS1 ou Data Matrix GS1 na embalagem do produto.
Se você quer preparar sua empresa para o futuro: avalie a migração para QR Code GS1, alinhada à iniciativa global Sunrise 2027, que prevê a substituição do EAN-13 pelos códigos 2D no varejo.
Se você vende livros: use o ISBN-13, que é tecnicamente um EAN-13 com prefixo 978 ou 979.
Onde os códigos de barras são usados?
- Varejo: controle de vendas no PDV, reposição de estoque, integração com caixas e marketplaces. O EAN-13 é o padrão universal;
- Logística: rastreamento de cargas, conferência de caixas e paletes, integração entre transportadoras e centros de distribuição. Os padrões dominantes são ITF-14 e GS1-128;
- Indústria: gestão de inventário, controle de produção e rastreamento de componentes. Code 128 e GS1-128 são os mais usados;
- Saúde: identificação de medicamentos, dispositivos médicos e prontuários. ANVISA exige rastreabilidade por GTIN em medicamentos — Data Matrix GS1 e GS1-128 são os padrões adotados;
- Agronegócio: rastreamento de origem, segurança alimentar e exportação. GS1 DataBar e QR Code GS1 permitem identificar lote, origem e condições de produção.
Por que usar os códigos de barras oficiais da GS1 Brasil?
A GS1 Brasil é a única organização autorizada a emitir GTINs e prefixos GS1 no Brasil. Códigos obtidos de revendedores não autorizados podem estar duplicados, sem vínculo com a empresa, e ser rejeitados em varejos e marketplaces.
Ao se associar à GS1 Brasil, sua empresa tem acesso a:
- GTINs únicos e permanentes, reconhecidos em mais de 150 países;
- Cadastro Nacional de Produtos, para centralizar e compartilhar informações dos produtos;
- Verified by GS1, plataforma de validação de autenticidade dos códigos;
- Suporte técnico especializado para escolha e aplicação correta dos padrões;
- Capacitação e treinamentos sobre os padrões GS1 e a transição para códigos 2D.
Para entender como obter seu código, veja nosso guia completo sobre como funciona o EAN-13 e como obter o seu e sobre o que significam os números do código de barras.
Perguntas frequentes sobre tipos de códigos de barras
Qual a diferença entre EAN e UPC?
O EAN-13 tem 13 dígitos e é o padrão global, dominante no Brasil e na maioria dos países. O UPC-A tem 12 dígitos e é o padrão dos EUA e Canadá. Ambos pertencem à família GTIN e são compatíveis entre si. Saiba mais em nosso conteúdo sobre EAN e UPC.
O que é GTIN e qual sua relação com o EAN-13?
O GTIN (Global Trade Item Number) é o padrão global de identificação de produtos, gerido pela GS1. O EAN-13 é a representação do GTIN com 13 dígitos, o formato mais usado no varejo global. Todo EAN-13 é um GTIN, mas existem outros formatos GTIN, como o GTIN-8, GTIN-12 e GTIN-14.
QR Code comum e QR Code GS1 são a mesma coisa?
Não. O QR Code comum pode armazenar qualquer dado sem estrutura padronizada. O QR Code GS1 segue uma estrutura definida pela GS1 que inclui o GTIN do produto e outros dados padronizados, sendo legível pelos mesmos sistemas que leem o EAN-13 no PDV.
Posso usar Code 128 no lugar do EAN-13 para vender em supermercados?
Não. O Code 128 não segue o padrão GS1 e não garante unicidade global. Supermercados e marketplaces exigem EAN-13 (GTIN) oficial emitido pela GS1 Brasil.
O que é o ITF-14 e quando devo usá-lo?
O ITF-14 identifica embalagens logísticas — caixas e fardos com múltiplas unidades de um produto. Ele é derivado do GTIN do produto interno e é usado entre fabricantes, distribuidores e varejistas para controle de estoque e recebimento de mercadorias.
Data Matrix e QR Code são intercambiáveis?
Não completamente. Ambos são códigos 2D, mas têm estruturas e aplicações diferentes. O Data Matrix é mais compacto e preferido em produtos pequenos (medicamentos, eletrônicos). O QR Code tem maior capacidade e é o padrão para interação com o consumidor final via smartphone.
Existe código de barras específico para medicamentos no Brasil?
Sim. A ANVISA exige rastreabilidade por GTIN em medicamentos. Os padrões usados são o Data Matrix GS1 (na embalagem do produto) e o GS1-128 (nas embalagens logísticas), que permitem incluir número de série, lote e validade.
