Você sabe o que significa cada elemento do código de barras? Descubra aqui

O que significam os números do código de barras e como funcionam?

 

O que é e como funciona um código de barras?

Um código de barras é um sistema de identificação automática que representa dados numéricos por meio de padrões visuais legíveis por scanners ópticos. No varejo e na cadeia de suprimentos, ele é o elo entre o produto físico e seu registro digital, permitindo automação de vendas, controle de estoque e rastreabilidade.

Existem dois grandes grupos.

  • Códigos 1D (uma dimensão): formados por linhas verticais paralelas de larguras variadas. Armazenam informações de forma linear e são o padrão dominante no varejo global. O principal exemplo é o EAN-13; 
  • Códigos 2D (duas dimensões): utilizam padrões matriciais (quadrados ou pontos) e armazenam muito mais dados que os códigos 1D. Podem ser lidos em qualquer direção. Os principais exemplos são o QR Code e o Data Matrix. A GS1 Brasil lidera no Brasil a transição dos códigos 1D para os códigos 2D padrão GS1, que permitem incluir dados como lote, validade e rastreabilidade diretamente no código.

 

Como é feita a leitura de um código de barras?

O leitor óptico emite um feixe de luz sobre o código e capta a luz refletida. Barras escuras absorvem a luz; espaços claros a refletem. Essa diferença é convertida em sinais elétricos e interpretada em linguagem binária, em que espaços claros representam 0 e barras escuras representam 1.

O sistema então traduz essa sequência binária nos dígitos numéricos do código e os confronta com a base de dados do produto. Todo esse processo ocorre em frações de segundo.

Para que a leitura seja válida, três elementos são verificados automaticamente:

  1. barras de limitação — confirmam início, meio e fim do código e permitem leitura em qualquer orientação, inclusive de cabeça para baixo; 
  2. sequência numérica — identifica país, empresa e produto; 
  3. dígito verificador — valida matematicamente se a leitura foi feita sem erros.

 

O que significa cada número do código de barras EAN-13

O EAN-13 é composto por 13 dígitos organizados em quatro partes com funções distintas. Entender essa estrutura ajuda a evitar erros de cadastro, gestão e integração com sistemas.

1. Prefixo GS1 — identificação do país (3 primeiros dígitos)

Os três primeiros dígitos indicam onde o código foi registrado, não necessariamente onde o produto foi fabricado.

No Brasil, os prefixos atribuídos pela GS1 Brasil são 789 e 790. Isso significa que um produto com código iniciado em 789 pode ter sido fabricado em outro país, mas foi registrado aqui.

Esse detalhe é importante: o prefixo identifica a origem do registro, não a origem do produto.

2. Código da empresa (dígitos seguintes — 4 a 7 dígitos, dependendo do porte)

Os dígitos seguintes identificam o fabricante ou responsável pelo produto dentro do sistema GS1.

O tamanho do código da empresa varia conforme o porte do associado:

Porte da empresa Dígitos do prefixo da empresa Produtos cadastráveis
Grande 5 dígitos Até 10.000 produtos
Média 6 dígitos Até 1.000 produtos
Pequena 7 dígitos Até 100 produtos

 

Essa distribuição é feita pela GS1 Brasil com base no volume de produtos da empresa, garantindo uso eficiente e sem duplicidades globais.

3. Código do produto (3 a 5 dígitos)

Os dígitos seguintes identificam o produto específico dentro do portfólio da empresa.

Cada variação: cor, tamanho, sabor, embalagem, exige um código distinto. Por exemplo:

  • produto A (sabor original, 200g) → código 001; 
  • produto A (sabor integral, 200g) → código 002; 
  • produto A (sabor original, 400g) → código 003.

Sem consulta à base de dados, não é possível identificar a empresa ou o produto apenas pelo número — a interpretação depende de sistemas integrados como ERPs ou o Cadastro Nacional de Produtos da GS1 Brasil.

4. Dígito verificador (último dígito)

O último dígito valida matematicamente toda a sequência. Ele é calculado automaticamente com base nos 12 dígitos anteriores e confrontado pelo scanner no momento da leitura. Se os valores não coincidirem, o código é rejeitado, protegendo a operação contra erros silenciosos.

 

Como calcular o dígito verificador do EAN-13

O cálculo segue um algoritmo padronizado pela GS1. Veja o passo a passo.

  1. Separe os 12 primeiros dígitos em posições ímpares (1ª, 3ª, 5ª…) e pares (2ª, 4ª, 6ª…); 
  2. Some os dígitos nas posições ímpares; 
  3. Some os dígitos nas posições pares e multiplique o resultado por 3; 
  4. Some os dois resultados; 
  5. O dígito verificador é o número que, somado ao resultado, completa o múltiplo de 10 mais próximo.

 

Exemplo com o código fictício 789012345678:

Posição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Dígito 7 8 9 0 1 2 3 4 5 6 7 8
Peso 1 3 1 3 1 3 1 3 1 3 1 3

 

  • Ímpares (peso 1): 7+ 9+ 1+ 3+ 5+ 7 = 32 
  • Pares (peso 3): (8+ 0+ 2+ 4+ 6+8) × 3 = 28 × 3 = 84 
  • Total: 32 + 84 = 116 
  • Próximo múltiplo de 10: 120 → 120 − 116 = 4 
  • Dígito verificador: 4

Na prática, sistemas integrados e o próprio Cadastro Nacional de Produtos calculam e validam esse dígito automaticamente, não é necessário fazê-lo manualmente.

 

O que são as barras de limitação?

As barras de limitação são as barras mais longas, localizadas no início, no meio e no fim do código EAN-13. Elas não fazem parte da numeração e não carregam dados do produto.

Suas funções são:

  • indicar o início e o fim da sequência legível; 
  • separar os dois grupos de 6 dígitos (barra central); 
  • permitir a leitura em qualquer direção, inclusive invertida.

Sem as barras de limitação, o scanner não consegue determinar onde o código começa nem em qual sentido deve ser lido.

 

Complementos EAN-2 e EAN-5

Além do código principal, existem complementos opcionais que adicionam informações específicas.

  • EAN-2 (2 dígitos): usado principalmente em revistas e publicações periódicas para indicar o número da edição; 
  • EAN-5 (5 dígitos): usado em livros e produtos com preço variável (como carnes e queijos fatiados) para indicar preço sugerido ou peso.

Esses complementos são sempre lidos em conjunto com o código EAN principal e dependem de sistemas preparados para interpretá-los.

 

Diferença entre código de barras de produto e de boleto bancário

Apesar da semelhança visual, os dois sistemas são completamente distintos e não se relacionam.

Característica Código de barras de produto (EAN-13) Código de barras de boleto
Padrão GS1 / EAN FEBRABAN
Dígitos 13 44 a 48
Informações País, empresa, produto, verificador Banco, moeda, vencimento, valor
Leitura Scanners de varejo e logística Leitores bancários e apps de pagamento
Finalidade Identificação de produto Transação financeira

 

Principais tipos de código de barras e suas aplicações

Códigos 1D — varejo e logística

Código Dígitos Uso principal
EAN-13 13 Varejo global — padrão no Brasil
EAN-8 8 Produtos com embalagem muito pequena
UPC-A 12 Varejo nos EUA e Canadá
DUN-14 / ITF-14 14 Embalagens logísticas e caixas de transporte
Code 128 Variável Logística, transportadoras, etiquetas internas

 

 

Códigos 2D — dados expandidos

Código Uso principal
QR Code GS1 Rastreabilidade, transparência ao consumidor, substituição do EAN-13
Data Matrix Produtos pequenos (saúde, eletrônicos), leitura rápida em linhas de produção
PDF417 Documentos de transporte, carteiras de habilitação

 

A principal diferença entre eles está na capacidade de dados, formato e contexto de uso, não na tecnologia de leitura, que é compatível com a maioria dos scanners modernos.

 

Vantagens do código de barras para empresas

  • Gestão de estoque: cada produto tem identificação única, facilitando controle em tempo real de entradas, saídas e inventários — sem dependência de digitação manual; 
  • Agilidade operacional: a leitura por scanner é até 20 vezes mais rápida que a digitação manual, reduzindo filas no PDV e aumentando a capacidade de atendimento sem expansão de estrutura; 
  • Acesso a mercados: a maioria dos contratos entre produtores e varejistas exige código de barras válido. Marketplaces como Amazon, Mercado Livre e Magalu exigem GTIN para cadastro de produtos. Sem ele, o produto simplesmente não entra no sistema; 
  • Integração global: os padrões GS1 são reconhecidos em mais de 150 países, permitindo que um produto registrado no Brasil seja identificado sem adaptações em qualquer mercado internacional.

Para entender como obter e aplicar esses códigos, veja nosso conteúdo completo sobre EAN-13: o que é, como funciona e como obter, e sobre as diferenças entre EAN e UPC.

 

Por que usar os códigos de barras da GS1 Brasil

A GS1 Brasil é a única organização autorizada a emitir prefixos GS1 no Brasil, garantindo que cada código seja único, permanente e reconhecido globalmente. Códigos adquiridos de fontes não autorizadas podem estar duplicados, sem vínculo com a empresa, e ser rejeitados em varejos e marketplaces.

Com os padrões GS1, sua empresa opera com dados confiáveis, integração com parceiros nacionais e internacionais, e conformidade com as exigências de plataformas digitais e redes varejistas.

 

Perguntas frequentes sobre os números do código de barras

O prefixo 789 significa que o produto foi fabricado no Brasil? 

Não. O prefixo 789 ou 790 indica que o código foi registrado pela GS1 Brasil — não que o produto foi fabricado aqui. Um produto importado pode ter prefixo brasileiro se o responsável pelo registro for uma empresa associada à GS1 Brasil.

Por que dois produtos da mesma empresa têm códigos diferentes? 

Porque cada variação de produto — tamanho, sabor, cor, embalagem — exige um GTIN distinto. O código identifica o produto específico, não apenas a marca ou o fabricante.

O que acontece se o dígito verificador estiver errado? 

O scanner rejeita a leitura automaticamente. O produto não é registrado no sistema, o que impede a venda no caixa ou o processamento logístico até que o código seja corrigido.

Qual a diferença entre código de barras e GTIN? 

O GTIN é o número de identificação do produto. O código de barras é a representação visual desse número — o símbolo impresso na embalagem que permite sua leitura óptica. Todo EAN-13 é um código de barras que representa um GTIN-13.

Códigos de barras podem ser lidos por celular? 

Sim. Aplicativos de leitura de código de barras conseguem escanear EAN-13 pela câmera do smartphone. Alguns consultam automaticamente a base do Verified by GS1 e retornam dados do produto.

Existe código de barras para serviços ou produtos digitais? 

O EAN-13 foi criado para produtos físicos. Para outros contextos, a GS1 oferece identificadores específicos: o GIAI para ativos e equipamentos e o SSCC para unidades logísticas como paletes e caixas.

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.