Guia da logística para exportação: como começar com sua PME?

O processo logístico em qualquer empresa consome boa parte da atenção e dos recursos, já que ele é a atividade responsável por entregar o produto desejado, da maneira apropriada e no tempo previsto para o consumidor. Em compensação, a logística bem feita é categórica para o êxito e a amplitude de faturamento de um negócio.

Se já existem dificuldades quanto à melhor realização de operações e gestão logística no que se refere ao processo interno, especialmente para as pequenas e médias empresas, quando se fala em logística de exportação, isso pode ser ainda mais complexo! Como a mercadoria percorre um longo caminho até que entre no sistema de uma empresa importadora, todo cuidado se faz necessário a fim de assegurar que a logística tenha um resultado de sucesso.

Quer entrar no mercado internacional do jeito certo e colocar seus produtos à venda para um novo público? Neste post, você encontrará um guia da logística para exportação e que é focado em PMEs. Confira!

Sua empresa está pronta para exportar?

Antes de colocar o seu produto no mercado internacional, é preciso garantir que ele esteja adequado à logística de distribuição e exportação. Mais do que isso, é também necessário ter a certeza de que a sua empresa está preparada para encarar todo o processo exportador: seguir as ideias adequadas de embalagem, código de barras, normas de qualidade, entre outros.

Toda essa preparação exige um processo bem estruturado, que fará com que os seus produtos tenham boa entrada no mercado internacional e, principalmente, que isso seja feito dentro do que rege a legislação aduaneira do Brasil. Para deixar a sua empresa pronta para exportar, será preciso:

· Estudar o mercado internacional

Do ponto de vista de mercado e de vendas, levar o seu produto para outros países exige cuidados semelhantes aos que você deve tomar quando o produto entrará em um novo mercado, ainda que nacional.

Isso significa que você precisará estudar o mercado internacional, conhecer as condições de compra e venda, entender se o seu produto tem competitividade o bastante para entrar no mercado e se o que você vende é realmente interessante para outros países. Assim como acontece internamente, é preciso haver demanda para que você faça a oferta e, assim, controlar os riscos.

· Avaliar a capacidade financeira

Expandir o mercado de atuação do seu negócio exige investimentos e, por isso, a capacidade financeira que possui deve ser condizente com o passo que pretende dar.

Caso esteja enfrentando dificuldades financeiras muito graves, a exportação de produtos pode não ser o melhor caminho.

Muitas empresas usam a exportação como forma de desviar de um cenário interno negativo, ao aproveitar a alta de câmbio. Entretanto, agir dessa forma não traz consistência ou resultados duradouros no mercado externo.

Assim, é importante considerar se a empresa realmente tem condições de entrar nesse mercado sem que haja prejuízos para o negócio como um todo.

· Considerar a regularidade do negócio

Se a empresa estiver irregular, ela não poderá exportar seus produtos porque não receberá as autorizações das entidades competentes, especialmente da Receita Federal.

Por isso, a sua empresa só estará preparada para exportar se ela tiver total regularidade fiscal e tributária e, assim, conseguir as autorizações necessárias para realizar esse tipo de transação comercial.

Empresas operando ilegalmente ou com algum tipo de inadimplência, especialmente em relação ao Fisco, precisam regularizar a situação antes de pensarem em exportar.

· Levar em conta as exigências do mercado internacional

Embora o produto da sua empresa possa ser bem recebido no mercado nacional, internacionalmente ele pode ter que se adaptar às regras e aos padrões de cada país no qual será inserido. Alguns produtos, inclusive, sequer podem entrar em determinados países.

Por isso, é preciso conhecer, de maneira prévia, quais são as exigências do mercado internacional para ser capaz de se adaptar a essas necessidades e exigências.

Embalagens e o mercado internacional

Do mesmo modo que acontece no mercado nacional, as embalagens de um produto são muito importantes para garantir a atração do público e o possível convencimento. Quanto à logística, o processo de embalagem é ainda mais importante porque permitirá que o produto seja movido e transportado com a sua integridade protegida e de acordo com as regras internacionais.

Quando se fala em embalagens, há três tipos principais: primária, secundária e terciária. A embalagem primária é a que fica em contato direto com o produto, enquanto a embalagem secundária guarda a embalagem primária, tanto por projeto de produto quanto para facilitar a logística. Já a embalagem terciária é a embalagem que reúne um grande conjunto de embalagens primárias ou secundárias em lotes, de modo que a logística seja possível.

Uma cartela de remédios é uma embalagem primária, enquanto a sua caixa é uma embalagem secundária. Um contêiner cheio de caixas de remédio, por sua vez, é uma embalagem terciária.

Assim, você precisa pensar em todos os níveis de embalagem para garantir que o produto seja atrativo e também para fazer com que ele chegue ao local desejado de maneira íntegra. Entendida a importância de pensar na embalagem, os cuidados nesse sentido incluem:

· Pensar em todos os processos logísticos

Quando você for planejar as embalagens para produtos que serão exportados, será preciso levar em consideração a cadeia logística como um todo. Pense em todas as etapas que acontecerão desde o produto sair da empresa até ser carregado no meio de transporte e chegar ao consumidor final.

O ideal é que as embalagens sejam pensadas para atender a todas essas etapas de maneira segura, eficiente e prática. Se o produto será carregado por empilhadeiras automáticas, por exemplo, é necessário que as dimensões da embalagem estejam de acordo com essa etapa.

· Favorecer a rastreabilidade

A embalagem também deve servir para que você consiga enxergar o produto na cadeia logística. Para isso, é preciso rastreabilidade. Usar determinados códigos de barras na parte de fora das embalagens terciárias, por exemplo, ajuda a gestão do processo logístico a saber em que etapa está o produto.

Quanto mais rastreabilidade houver no processo, mais fácil será controlar ou exercer mudanças e garantir que tudo siga como o planejado.

· Fazer adaptações ao mercado internacional

Outro ponto importante é considerar quais são as exigências do mercado internacional do ponto de vista da embalagem. Há países que exigem materiais específicos ou simbologia completa. Por isso, é importante conhecer quais são essas demandas para que a embalagem seja adaptada a elas.

Quanto à embalagem primária e à secundária, também é interessante pensar em adaptações, de modo que as embalagens se tornem mais atrativas. Conhecer o que chama a atenção do consumidor internacional, por exemplo, favorece o destaque do seu produto.

Atendendo às normas de qualidade internacional

Para garantir que bons produtos entrem no país e, muitas vezes, para prevenir que doenças sejam propagadas e outras situações do tipo ocorram, os países tendem a estabelecer regras para a importação de produtos.

Como exportadora, sua empresa precisará atender às normas de qualidade internacional para conseguir se inserir no mercado internacional. Algumas dicas importantes incluem:

· Conhecer as exigências de cada país

Ter mais qualidade em seus processos e em seus produtos é importante, mas é relevante que você busque conhecer quais são as exigências específicas de cada país. Somente assim você conseguirá saber qual deve ser o foco da sua empresa na hora de exportar.

Procure fatores como a legislação do país e pergunte ao importador, antes de fechar negócio, quais são as condições necessárias para que a transação seja efetuada da maneira certa.

· Modificar seus processos

É bem provável que a empresa precisará fazer algumas modificações, então leve em consideração a necessidade de modificar os processos. Pode ser a atualização em um dos ativos da empresa ou então na própria forma de fabricação em si, por exemplo..

Essas mudanças precisam ser feitas de maneira organizada e controlada para que possam ser geridas adequadamente e adaptadas conforme a necessidade.

· Considerar obter uma certificação internacional

Um caminho eficiente é por meio da obtenção de uma certificação internacional, como a ISO 9001. Como é uma certificação internacional reconhecida, é bem provável que os importadores aceitem a certificação como comprovação de atendimento às suas exigências.

Note, entretanto, que esse não é um processo simples e é indicado que você conte com uma consultoria especializada no assunto. Serão implementadas mudanças nos processos e em outros procedimentos da empresa que farão com que os produtos se adaptem a um padrão internacional de qualidade.

Como se adequar ao uso de código de barras?

Por falar em adequação, uma preocupação do seu negócio ao pensar em exportação deve ser o uso de código de barras. Além de ser relevante utilizar um código de barras na logística interna, também é necessário pensar em alguns padrões internacionais. Para se adequar ao uso desses códigos, as etapas incluem:

· Procurar uma associação que ofereça uma solução global

Você precisará adquirir um código de barras para seus produtos e, para isso, será necessário contatar uma associação responsável por fornecer esse tipo de solução. Como você pretende exportar, o recomendado é procurar uma empresa que ofereça uma solução global.

Para tanto, verifique se a empresa atende aos padrões estabelecidos pela ISO para que os produtos obedeçam às regras internacionais. Normalmente, é necessário que você se associe e, então, escolha a solução que se encaixa no seu negócio.

· Considerar seu tipo de produto e destinatário de exportação

Outro ponto importante é, justamente, o tipo de produto e o cliente que receberá os produtos. Como você já sabe, Estados Unidos e Canadá exigem o código UPC, então se você exportará para a América do Norte, precisará de um código do tipo.

Também é necessário pensar no seu produto. Livros, por exemplo, exigem o código ISBN ou então o ISSN. Um código para um produto na logística interna, por sua vez, é um EAN de 14 dígitos. Assim, tudo depende da finalidade.

· Assegurar a integração por meio da automação comercial

O código de barras serve para identificar os produtos de maneira única e também para dar mais visibilidade dentro do processo logístico. Para isso, é indispensável que ele esteja integrado a uma solução de automação comercial dentro do negócio.

Esse tipo de solução garante que os produtos sejam devidamente cadastrados e identificados, para que o gerador de códigos de barra possa ser usado na sequência. Isso torna o processo mais controlado e dentro das especificações estabelecidas internacionalmente.

· Conferir a escaneabilidade

Todo código de barras precisa ser lido adequadamente pelos equipamentos óticos. A conferência dessa escaneabilidade deve ser feita antes que o código de barras seja implantado de maneira definitiva em todos os produtos.

Essa conferência é ainda mais importante quando existe algum tipo de redimensionamento mais intenso no código de barras. Garantir que os códigos sejam escaneáveis evita que ocorram problemas quando o cliente receber os produtos e for colocá-los no sistema, por exemplo.

Quero exportar, e agora?

Mesmo sendo uma pequena ou média empresa, você pode exportar produtos de maneira totalmente regularizada e beneficiar o seu negócio com isso. Para conseguir tal feito, é preciso seguir uma série de etapas que garantirão a sua devida adequação a todo o processo, como manda a lei brasileira. As etapas incluem:

· Fazer o planejamento da empresa

Para entrar no mercado internacional, sua empresa precisará se preparar. Por isso, além de entender mais sobre o mercado internacional e as suas exigências, será preciso conhecer e estudar a fundo o que diz a legislação brasileira.

Dependendo do tipo de produto que a sua empresa produz, inclusive, existem algumas obrigações e etapas específicas que precisam ser conhecidas pela empresa de antemão.

Esse planejamento também inclui determinar o que vender, por quanto vender e para quem vender.

· Credenciar o SISCOMEX e obter o RADAR

O Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) é o sistema responsável por monitorar todas as transações comerciais internacionais. Por isso, a primeira coisa a se fazer é realizar um credenciamento junto a esse sistema. Após a primeira exportação, a empresa ficará cadastrada automaticamente no Registro de Exportadores e Importadores (REI).

Após o credenciamento, a empresa deve procurar obter o Registro de Habilitação no Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (RADAR). Esse registro permite o rastreamento das transações internacionais e garante a aprovação de envio do produto, por exemplo.

· Fechar o contrato comercial

Para selar a transação comercial, é necessário que tudo seja devidamente documentado em um contrato comercial de transação internacional. Nesse contrato, estarão descritas questões como produtos que serão entregues, prazo, valor, obrigações e direitos de ambas as partes.

Além de garantir proteção para quem compra e para quem vende, o contrato comercial também é necessário para constar dos autos das autoridades fiscalizadoras e também para completar a documentação do processo.

· Acertar a documentação da mercadoria e da transação

A mercadoria e a transação também precisam de documentações diversas, como nota fiscal, registro de operação de crédito, registro de exportação, fatura comercial, documentos do contrato de exportação, certificado de origem e legalização junto ao consulado.

Também é necessário realizar uma contratação de câmbio, antes ou depois do produto ser embarcado para transporte, assim como é preciso fazer o envio de documentos para o importador. Somente após toda essa sequência, o dinheiro é recebido de acordo com a forma de pagamento estabelecida em contrato.

É interessante procurar conhecer a lista de todos os documentos necessários. O próprio Governo Federal disponibiliza um guia com a lista completa de todos os documentos necessários e como eles devem ser obtidos.

6 dicas para dar mais destaque ao seu produto lá fora!

Com tudo pronto para exportar? Então é hora de pensar em como fazer com que o seu público de interesse queira comprar o que você vende. Dar destaque ao seu produto, nesse momento, é indispensável. Algumas dicas incluem:

· Fazer com que o preço seja competitivo

Um dos principais motivos que farão com que uma empresa importe um produto é o preço. Se o produto pode ser encontrado de maneira mais barata ou quase idêntica em seu próprio país, é praticamente impossível que o cliente queira passar por todo o processo burocrático de importação.

Por isso, é muito importante oferecer um preço bem competitivo para atrair os consumidores. Isso significa, por exemplo, estabelecer melhorias de qualidade e de processos, de modo que desperdícios e custos operacionais, em geral, sejam reduzidos.

Aproveitar uma valorização cambial também é benéfico, assim como aproveitar as vantagens tributárias para quem exporta. Como pequena e média empresa, isso é ainda mais importante, já que o seu negócio pode ter a isenção de ICMS de matérias-primas de produtos que serão exportados, por exemplo.

· Oferecer algo inovador

Além do preço, outro motivador para um cliente realizar importações é a inovação oferecida pelo produto. Se você conseguir oferecer algo muito necessário ou desejado pelo seu público internacional e que não esteja disponível de maneira interna, grandes são as chances de que o seu produto se destaque e receba uma grande demanda.

Investir em pesquisas e desenvolvimento contínuo de novas e melhores mercadorias, portanto, aumenta as chances de que a sua mercadoria ganhe destaque.

· Fazer parcerias de sucesso

Dependendo do seu ramo de atuação, é possível fazer parcerias de sucesso com empresas internacionais, normalmente em um esquema de importação mútua. Ou seja, você vende seus produtos e importa os produtos da outra empresa.

Se isso fizer sentido para o seu negócio, seus produtos terão um apoio “local” no mercado externo e, com isso, será mais fácil chamar a atenção de outros clientes e despertar o interesse deles.

· Investir em ações de marketing segmentadas

O marketing funciona no mercado interno e funciona também no mercado externo. Por isso, uma maneira de aumentar a visibilidade e o destaque do seu produto no mercado externo é realizando ações de marketing segmentadas para esse público.

Invista em fazer uma boa apresentação dos seus produtos, em campanhas atrativas e que gerem engajamento. Isso aumenta a exposição de marca e faz com que mais gente fique conhecendo as soluções que o seu negócio oferece.

· Otimizar a qualidade do atendimento

Um atendimento voltado para a construção de um relacionamento de confiança com os futuros clientes e para a orientação necessária para um processo de importação seguro e vantajoso para eles, por exemplo, gera ótimos resultados de conversão.

Quanto mais o atendimento for direcionado para os interesses e necessidades desse público, mais efetivo ele será. Isso gerará mais satisfação e uma percepção positiva da marca e também ajudará o produto a se destacar.

· Monitorar a concorrência

Quais são as empresas do seu ramo que já exportam ou que planejam exportar? O que elas estão fazendo? O que está dando certo? O que as empresas do país de interesse têm feito para conquistar clientes? Como você pode superá-las?

Responder a essas perguntas é importante porque a concorrência, tanto no Brasil quanto nos países-alvo para exportação, são empecilhos que podem esconder o seu produto. Ao mapear a atuação da concorrência, você identifica erros, oportunidades e brechas no nicho de mercado para conseguir atrair e converter mais clientes.

Exportar produtos pode ser uma ótima saída para favorecer o sucesso dos seus negócios, mas é muito importante que tudo isso seja feito de maneira planejada e regularizada. Isso significa dar atenção não apenas ao mercado internacional, mas também às exigências legais do Brasil para exportar com sucesso.

Com um processo logístico mais longo e mais complexo você também precisará ter cuidados com a embalagem do produto e com o uso de código de barras. A adequação a padrões internacionais de qualidade não fica de fora da lista de afazeres para exportar com sucesso.

Tudo isso deve ser aliado a uma estratégia que garanta destaque para o produto frente aos demais concorrentes. Seguindo este guia, você multiplicará as chances de que a sua PME se torne uma exportadora de sucesso e, com isso, fortalecerá o negócio.

E então, o que achou do nosso artigo de hoje? Qual é o segmento da sua empresa e quais são as suas ideias para começar a exportar? Não deixe de comentar!

Guia de exportação PME

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4 Comentários
  • Rosana Adelia Gomes
    Responder

    Excelente conteúdo pela sua objetividade e clareza para um melhor entendimento da amplitude la logística.

    • Professora Rosana,
      Muito obrigado pela interação! Esperamos contribuir com mais posts úteis como esse.
      Um abraço,
      Equipe GS1 Brasil

  • Gostaria de saber ,o máximo sobre ,a situação ao contrario ,enviar para o Brasil !

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